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Festival do Coco Babaçu celebra tradição centenária e protagonismo das quebradeiras no Piauí

Presente na paisagem e na vida de milhares de famílias do Norte e Nordeste do Brasil, o coco babaçu é muito mais do que um recurso natural. Ele representa sustento, cultura, identidade e resistência, especialmente para as mulheres conhecidas como quebradeiras de coco. Esse patrimônio vivo será celebrado no 1º Festival do Coco Babaçu, marcado para o dia 31 de maio de 2026, na comunidade Correntes, zona rural de Piripiri, no Norte do Piauí.

O festival nasce com o objetivo de valorizar uma atividade que atravessa gerações e segue fundamental para a economia de comunidades tradicionais. De acordo com dados do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), mais de 300 mil mulheres vivem diretamente da atividade extrativista do babaçu nos estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e Pará. Todas as partes do fruto são aproveitadas: a amêndoa gera óleo e azeite, o mesocarpo vira farinha e mingau, a casca é transformada em carvão e as folhas servem para artesanato e cobertura de casas.

No Piauí, o babaçu está concentrado principalmente na região conhecida como Mata dos Cocais, área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Estudos apontam que o extrativismo do babaçu é uma das principais fontes de renda complementar para famílias de agricultores e agricultoras familiares, especialmente mulheres, além de exercer papel importante na segurança alimentar e na preservação ambiental.

Idealizado e realizado pelo presidente da Câmara Municipal de Piripiri, vereador Euler Monteiro, o 1º Festival do Coco Babaçu busca dar visibilidade a essa cadeia produtiva e reconhecer o papel social das quebradeiras. Segundo o parlamentar, o evento também é uma ferramenta de fortalecimento da identidade cultural local.

“O coco babaçu representa trabalho, dignidade e história. Esse festival é uma forma de reconhecer a força das quebradeiras e mostrar que a cultura do campo precisa ser valorizada e preservada”, afirmou Euler Monteiro.

A programação do evento inclui atividades culturais, momentos de troca de saberes, exposição de produtos derivados do babaçu e ações de valorização da produção comunitária. A organização conta com apoio do perfil Vai Piripiri, do influenciador Jove Oliveira, do professor Tertuliano Marcolino e da Associação do Desenvolvimento Comunitário da Comunidade Correntes.

Além do aspecto cultural, o festival também dialoga com debates atuais sobre sustentabilidade e bioeconomia. Pesquisas indicam que a cadeia do babaçu é uma das mais promissoras da sociobiodiversidade brasileira, justamente por permitir o aproveitamento integral do fruto sem a derrubada das palmeiras, o que contribui para a conservação ambiental e geração de renda local.

Ao reunir comunidade, lideranças e parceiros, o 1º Festival do Coco Babaçu se apresenta como um marco para Piripiri e para a valorização de uma prática ancestral que resiste ao tempo. Um reconhecimento a quem, diariamente, transforma o coco em sustento, cultura e futuro no interior do Piauí.

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