• Home
  • Manchete
  • Política, Cultura, Esporte, Entretenimento e +
  • Mais destaques
sábado, março 7, 2026
100% PIAUÍ
  • Home
  • Manchete
  • Política, Cultura, Esporte, Entretenimento e +
  • Mais destaques
No Result
View All Result
  • Home
  • Manchete
  • Política, Cultura, Esporte, Entretenimento e +
  • Mais destaques
No Result
View All Result
100% PIAUÍ
No Result
View All Result
Home Destaques

Carne de Sol de Campo Maior-PI ganha destaque na Revista Veja sendo considerada a melhor do Brasil

19 de março de 2018
CurtirCompartilhar

Nos primeiros séculos da colonização do Brasil, os portugueses nos ensinaram a técnica de salgar a carne, colocar ao sol para completar a desidratação e transformar em charque. Tiramos proveito da lição. Os portugueses já dominavam a técnica, aplicando-a não só na preservação de peixes – o maior exemplo é o bacalhau -, como das carnes em geral. Carregavam esses gêneros em suas caravelas descobridoras, tornaram-se imprescindíveis na alimentação das tripulações e sobrevivência no mar.

Curiosamente, nosso charque industrial começou a ser produzido no Nordeste – e não no Sul, onde historicamente pastava o grande rebanho bovino nacional; hoje, encontra-se no Centro-Oeste. O pioneirismo nordestino se deveu a fatores particulares. Foi na região que os portugueses encontraram os melhores locais para represar a água do mar, evaporá-la e liberar o sal. Além disso, havia rebanho bovino suficiente na região, pastoreado e multiplicado a partir do século 17, com a implantação das fazendas de gado.

O charque era a única possibilidade de conservação da carne em uma época na qual inexistia a refrigeração elétrica. Também rendia dinheiro. Conduzidos vivos para os mercados consumidores, os animais perdiam peso e se desvalorizavam. Quando abatidos para fazer charque, a situação mudava. O alimento durava meses e podia ser transportado para longas distâncias. Seus centros de produção enriqueceram e o povo se deu ao luxo até de importar confortos europeus. Os navios que levavam o produto traziam louças, talheres, cristais, móveis, livros, bebidas etc.

Loja especializada em Carne de Sol: existem mais de vinte em Campo Maior  (João Allbert/Divulgação)

Conforme alguns historiadores, a industrialização do charque começou em São José do Porto dos Barcos, hoje Aracati, no Ceará, conhecida pela praia da Canoa Quebrada e seu animadíssimo Carnaval. Daquela cidade saiu o português José Pinto Martins, fugindo da desastrosa “seca dos três setes”, que durou de 1777 a 1779. A falta prolongada de chuva provocou uma crise econômica e social sem precedentes. Multidões migraram para outros recantos do país.

Pinto Martins mudou para o Rio Grande do Sul e se diz que fundou a primeira charqueada da região, às margens do arroio Pelotas, no município homônimo. Com essa iniciativa, inaugurou o ciclo de ouro do charque no Brasil. O pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), retratou a atividade em duas famosas aquarelas sobre papel, de 1828 e 29. Em uma delas gaúchos abatem animais; a outra mostra a charqueada para onde se destinavam. No Rio Grande do Sul o charque recebeu seu nome. Até então era conhecido como carne-seca e carne do Ceará.

A “nova” designação veio de charqui, da língua indígena quíchua, ainda hoje falada por grupos étnicos andinos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. Na elaboração do produto, desossa-se a carne, habitualmente bovina, tirada da parte dianteira do animal e da ponta de agulha, situada entre a parte dianteira e traseira; corta-se em mantas (pedaços grandes e delgados), salga-se abundantemente, empilha-se e se deixa em galpões ventilados. A seguir, lava-se ligeiramente a peça, a fim de retirar o excesso de sal e, por último, seca-se ao sol.

O Nordeste continua a desidratar a carne à moda antiga, mas agora prefere empregar um método diferente. Utiliza toda a carcaça bovina, pulverizada com menor quantidade de sal. Submete-a a tratamento rápido. O alimento fica internamente úmido. A carne também pode ser caprina ou ovina. Denomina-se o produto final de carne de sol, carne do sertão ou carne de vento.

Gravuras de Debret: Testemunhas do ciclo do charque no Rio Grande do Sul  (/Divulgação)

Um dos mais conhecidos centros do seu preparo se encontra no Piauí, a 84 quilômetros da capital Teresina. É a cidade de Campo Maior, com mais de trezentos anos de existência e pouco mais de 45 mil habitantes. Encontra-se cercada por uma vegetação de transição para caatinga, dotada de vegetação rasteira e poucas árvores. Os campos planos, conhecidos como campinas, ocupam extensas áreas adequadas à pecuária. O gado chegou ali no século 17 e se multiplicou. Resultou tão numeroso que os preços despencaram.

Segundo o historiador Marcos Vinícius Paixão, no livro “Campo Maior – Origens” (Edição do Autor, Piauí, 2015), um boi chegou a ser trocado por dois litros de cachaça, uma vaca por cinco galinhas ou dois perus. O autor fez as contas: “Para cada quilo de galinha, era preciso pagar com 32 quilos de carne”.

Campo Maior é cortada pela rodovia BR-343, que atravessa o Piauí no sentido diagonal. Ao longo do trecho urbano existem cerca de 20 açougues. Outros funcionam perto da  rodoviária. Compram a carne de abatedores e a convertem, no próprio local da comercialização, em carne de sol. A seguir, deixam o produto à venda, dependurado em ganchos, em locais abertos e ventilados, parecidos com palhoças. Peças inteiras de carne de sol e úberes (mamas das vacas) ficam expostas ao público, consumidor tradicional ou turista.

Imagem Ilustrativa da Internet

Os clientes, que chegam de todas as partes, preferem adquiri-las com três dias de cura, pagando entre 32 e 35 reais o quilo. Campo Maior dispõe de carne de sol para se comer à vontade: às vezes a cidade comercializa quase uma tonelada do produto por semana. É considerada por muitos “a melhor do Brasil”. Alguns dos seus destinos culinários: coxinha frita (substituindo a carne de galinha), grelhados, churrasco na brasa, frituras, escondidinho de macaxeira (mandioca), arroz Maria Isabel, paçoca de pilão e cobertura de pizza junto com queijo coalho.

Em Teresina, há restaurantes especializados em carne de sol, sendo mais famoso o São João, com três endereços. A matriz se localiza na Rua João Cabral, 2340, no bairro Pirajá. Mas o São João não compra carne de sol de terceiros, cozinha a de sua elaboração própria. Usa filé mignon curado no sal, que vai à mesa em porções de 300, 500 ou 800 gramas; ou, então, pesando um quilo.

Antes de colocar na travessa ou prato de servir, frita a carne na frigideira e depois a mergulha na manteiga da terra ou de garrafa. Acompanha vinagrete, baião de dois, farofa e macaxeira cozida, que convertem o almoço jantar em uma refeição completa. Popular e apetitosa, a carne de sol só necessita de um reparo: tem nome paradoxal. Na prática, entretanto, não vai ao sol durante o processo de desidratação, “para evitar endurecer”, Portanto, deveria chamar-se carne de vento, o nome antigo, ou então de carne de sombra.

Fonte: Revista Veja

Tags: Campo MaiorCarne de SolpiauíVeja

Discussion about this post

Publicidade




Mais Notícias

  • Carnaval de São Raimundo Nonato leva multidão à Avenida Zé de Castro e movimenta a cidade
  • Por que os imóveis de praia são mais caros? Entenda a valorização no litoral piauiense
  • Inscrições para o Siespi encerram na segunda (23); programa amplia apoio a atletas e entidades esportivas
  • Semarh intensifica fiscalização de barragens no Piauí após chuvas elevarem níveis de armazenamento
  • Piauí recebe primeiro lote da vacina contra a dengue para imunizar profissionais de saúde
  • Governo do Piauí inicia atendimentos da Carreta de Ressonância Magnética para 21 municípios do sul do estado na segunda (23)
  • Governo do Piauí recebe 50 fuzis e equipamentos de informática para reforçar segurança pública
  • Rafael Fonteles anuncia reajuste de 5,6% para servidores estaduais; projeto será encaminhado à Alepi
  • Carnaval 2026: Piauí registra queda na criminalidade, zero casos de feminicídios e menos mortes no trânsito
  • Carnaval de Floriano 2026 é sucesso de público e celebra todos os ritmos no corredor da folia
  • Semarh Itinerante levará serviços, orientações e educação ambiental aos municípios piauienses
  • Detran-PI adota novo manual de provas práticas e anuncia fim da baliza para obtenção da CNH

Publicidade




100% PIAUÍ

Cultura, Música, Cidades, Festas, Shows, Cotidiano, etc.




Notícias Recentes

Carnaval de São Raimundo Nonato leva multidão à Avenida Zé de Castro e movimenta a cidade

Carnaval de São Raimundo Nonato leva multidão à Avenida Zé de Castro e movimenta a cidade

23 de fevereiro de 2026
Por que os imóveis de praia são mais caros? Entenda a valorização no litoral piauiense

Por que os imóveis de praia são mais caros? Entenda a valorização no litoral piauiense

20 de fevereiro de 2026
  • Sobre nós
  • O Piauí
  • Política de Privacidade
  • Contato

© 2020 100% Piauí - O site verdadeiramente piauiense!

No Result
View All Result
  • Home
  • Manchete
  • Política, Cultura, Esporte, Entretenimento e +
  • Mais destaques

© 2020 100% Piauí - O site verdadeiramente piauiense!

Login to your account below

Forgotten Password?

Fill the forms bellow to register

All fields are required. Log In

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In